O sertanejo na contramão (Ainda bem!)

por Luiz Felipe Rocha

Quando as duplas César Menotti e Fabiano, João Bosco e Vinícius e Jorge e Mateus estouraram no final da primeira década do século, ninguém podia imaginar a proporção e os rumos que o rotulado “Sertanejo Universitário” tomaria. As três duplas, inclusive, ganharam repercussão nacional interpretando músicas anteriormente gravadas por artistas consagrados como Zezé Di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó e Leonardo.

Além da particularidade de cada voz, a grande diferença entre as gerações ficava por conta do ritmo dos instrumentos, que passaram a ser cada vez mais rápidos e consequentemente animados, o que agradou diretamente o público universitário, que frequentava as festas do gênero.

Desde então, o mercado sertanejo passou um momento que, talvez, nenhum outro segmento tenha passado. Uma verdadeira avalanche de novos artistas e novas músicas caiu sob a cabeça do público, que fica sempre com a missão de separar o que tem ou não qualidade e principalmente, capacidade para seguir em frente.

1397746501680_scrapeenetComo já era esperado, artistas bons e ruins surgiram, o que pode ser discutido e tratado como questão de opinião. Porém, é inegável que a qualidade musical e criatividade nas composições caiu, e muito! Com canções recheadas de onomatopeias (Bara Berê, Tche Tche, Tcha Tcha, por exemplo), Funknejos e Arrochas, não demorou muito para que surgissem diversas críticas, inclusive de artistas e especialistas do gênero sertanejo.

Após esse período “turbulento” , já deu pra sentir que o ano de 2014 pode representar uma reviravolta no mercado e o início de uma nova mudança de rumos, onde o bom e velho sertanejo romântico ganhará força novamente. Bons exemplos para acreditar nisso não faltam:

Michel Teló, um dos maiores (e melhores) nomes do período “festivo” do sertanejo, está produzindo um DVD especial que conta a história da música de raiz e vai apresentar, dentre outras, participações incríveis como de Bruno e Marrone, César Menotti e Fabiano e Sérgio Reis. Gusttavo Lima e Luan Santana, também símbolos dessa nova geração, mostraram nos seus últimos trabalhos um claro sinal de amadurecimento musical. Destaque para as românticas “Do Outro Lado da Moeda”, que Gusttavo gravou com Zezé Di Camargo e Luciano e “Tudo Que Você Quiser”, de Luan, sem dúvida melhor música do ano.

1397590163234_scrapeenetGuilherme e Santiago, que ganharam incrível repercussão nacional após o DVD “Tudo Tem um Porque”, recheado de músicas animadas, surpreenderam o mercado ao lançar o single “Jogado Na Rua”. A canção, que nos faz lembrar o início da música sertaneja, se aproxima da marca de 2 millhões de visualizações no Youtube e, de acordo com a própria dupla, foi elogiada por diversos artistas e produtores do segmento. Na mesma linha, Humberto e Ronaldo, que costumavam trabalhar com músicas na linha universitária, “inovaram” ao lançar “Alô DJ”, que apesar do nome, é uma daquelas modas bonitas e que caíram no gosto do público.

Duas duplas como citadas anteriormente, principais responsáveis pelo início de mudança de linguagem da música, também preparam homenagens ao estilo que fez sucesso nas décadas de 80 e 90. João Bosco e Vinícius trabalham em estúdio um projeto diferenciado e inédito, que deve ser lançado no final deste ano ou início de 2015. A dupla irá regravar sucessos de outros tradicionais artistas e em cada música, contará com a participação dos intérpretes originais.

Já César Menotti & Fabiano finalizam um CD que terá apenas regravações, todas elas de clássicos da música sertaneja, mas curiosamente composta por canções que não estouraram comercialmente. O repertório traz canções de Milionário & José Rico, Chrystian & Ralf e Zezé Di Camargo & Luciano, entre outros.

Enfim, apesar de o mercado estar acostumado com as constantes mudanças, podemos esperar boas novidades por parte dos artistas. Definitivamente, na música sertaneja, voltar às origens não significa regredir. Afinal, como diria o poeta e compositor Dino Franco, “A música sem raiz é fraca, vulgar e fria”.

LUIZ FELIPE ROCHA

Nascido em Campinas (SP), Luiz Felipe Rocha é jornalista, tem 24 anos e sempre foi apaixonado pela música sertaneja. Neste espaço, ele irá fazer uma análise dos principais assuntos do meio e opinar sobre os novos artistas que estão despontando no mercado.



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